terça-feira, 23 de agosto de 2016

Os cachos do exemplo

É, o blog anda meio devagar.  Depois de excelentes contribuições que fizeram muito sucesso, não tive mais submissões de artigos ao blog.  E como a vida anda em um ritmo frenético, me senti justificada em deixar o assunto quieto por um tempo.  No entanto, o Espírito tem testificado no meu coração neste tempo de uma maneira muito forte que eu preciso ser um exemplo também neste assunto.

Esse ser modelo para alguém às vezes requer de mim mais trabalho do que eu gostaria.  Veja o meu cabelo por exemplo: desde que me casei tenho aderido às escovas e chapinhas pela praticidade.  Só quem tem cabelo crespo sabe como é não ter o direito de desembaraçar o cabelo sem antes lavar e condicionar e, claro, manter um penteado apoiada em um arsenal de finalizadores, óleos e afins.  Nem passava mais pela minha cabeça voltar a essa vida pois considero que existe muita coisa com as quais me importo mais!  Até que percebi que minha filha mais velha deu para reclamar do seu cabelo e dizer que não gostava mais dele.  O cabelo dela não é crespo como o meu, mas é bastante volumoso e tem muitos cachos de um tom castanho claro um tanto avermelhado que ganha muitos elogios por onde passa.

Nessas horas que a gente se descobre realmente mãe!  Vendo que a atitude de manter o meu cabelo natural se tornara uma questão de ensinar minha filha a se amar do jeito que ela é, deixei a praticidade de lado e estou naquela luta diária com o espelho que eu esperava nunca mais travar.  Na verdade isso só foi possível porque nos últimos seis meses não fui feliz em nenhum cabelereiro e estava justamente naquela hora decisiva em que retornaria ao meu antigo.  Acontece que desde o primeiro dia em que deixei o secador de lado, a menina não comenta mais nada sobre o seu cabelo. Às vezes reparo nela se admirando no espelho e se sentindo a garota linda que ela é.



Pensando justamente nisso, lembrei-me de quando nos batizamos na Igreja e minha vó ficou muito preocupada com essa nova religião que entrara na nossa vida.  Orando e preocupada, ela comentou com uma irmã na congregação dela que acalmou o seu coração.  Acontece que essa irmã era vizinha de uma família mórmon e tinha uma relação de amizade com eles.  Ela contou para minha vó que sempre que precisavam viajar deixavam a chave da casa com ela para que molhasse suas plantas.  Pela maneira que aquela família cuidava e mantinha seu lar, ela sabia que eles eram verdadeiros discípulos de Jesus Cristo e que a minha vó não tinha com o que se preocupar.

Essa família fez um grande bem para a minha e tenho certeza que eles nem suspeitam disso.  Sua vida foi a própria "carta de Cristo", "escrita, não com tinta, mas o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração" (2 Cor 3:3).  Espero que de alguma forma, a constância em testificar sobre a eficácia dos ensinamentos do Salvador na minha vida mostre algo para minha família e para os meus amigos que eu mesmo não sei o que é.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Momentos para se guardar

Esse mês viajei e fiquei enrolada com muitas coisas.  Por isso não pude continuar designando e convidando pessoas para escrever no blog.  Agora em casa, pensando em como eu faria para dar continuidade ao projeto, lembrei desse post que eu nunca publiquei, não sei bem o porquê.  Escrevi após a conferência de abril deste ano.
                                                   

Hoje de manhã, depois que lemos as escrituras juntas, ficamos enrolando na cama no quarto das meninas. Elas brincavam, se beijavam, se abraçavam... Em meio aquelas risadas e palavras de carinho, senti que estava presenciando um momento perfeito.  A alegria e a paz eram tão evidentes que bem que eu gostaria de guardar aquela cena em uma linda caixinha para ser aberta em horas de dúvida e tristeza.

Deixei as meninas na escola e voltei pra casa pensando em como nada poderia melhorar nem piorar aquela ocasião.  Não seria mais bonito com um papel de parede mais caro nem mais feio em um barraco.  Não seria mais agradável fosse eu obesa ou atleta.  Não seria mais emocionante em um resort no caribe ou em um lindo hotel de estação de esqui.  E o meu coração ficou cheio de uma maneira que só quem viveu esse tipo de momento pode entender, embora duvido que possa explicar.

Como todo ano, no primeiro fim de semana de abril, passamos tanto o sábado quanto o domingo dedicados a assistir a conferência geral da Igreja, quando os apóstolos e outras autoridades da Igreja nos falam a vontade do Senhor para a nossa vida hoje.  Estou cheia de gratidão pelas escolhas que me levaram a viver essas coisas.  Não sei onde estaria se minha vida tivesse tomado outro rumo, mas senti que nenhum outra maneira de agir poderia me trazer maior alegria do que viver esses princípios que me aproximam de Deus.

Fico pensando nos momentos em que me perguntei se deveria mesmo fazer a vontade do Senhor.  Sei que não viveria esse momento se não tivesse decidido ouvir a voz de seus profetas e desejar ter uma família e fazer dela a prioridade em minha vida.   Se eu estivesse hoje no meu trabalho eu não teria testemunhado isso.  Se eu tivesse optado me poupar dor de cabeça e ter uma única filha eu não teria visto nada disso.  Se eu tivesse me casado com alguém que não guardasse os mandamentos, eu não teria nenhuma dessas oportunidades.  Dentro do meu coração, as palavras da música que canto com as meninas ganharam muito mais significado:

Existe razão em nosso viver,
Existe um plano que nos fez nascer.
Por minha escolha a essa Terra vim,
E devo buscar o melhor para mim.

Esse plano eu vou cumprir,
A palavra de Deus vou seguir!
Vou trabalhar e sempre orar,
Seu caminho quero trilhar,
E a felicidade e paz não findarão jamais!

Sinto profunda gratidão a Deus pelo dom do arrependimento e a cada mudança que faço me sinto mais abençoada.




quarta-feira, 6 de julho de 2016

Um verdadeiro milagre

Eu tenho síndrome do coelho branco, sempre correndo de um lado para o outro atrasada.  E nessa afobação eu acabo deixando muita coisa passar pensando naquilo que eu preciso fazer.  No início de junho, a minha vizinha e amiga da Igreja veio me perguntar se eu já tinha visto uma família que catava lixo na nossa rua.  Ela me contou que estavam sempre lá pai, mãe e filhos em um estado precário de higiene, se alimentando do que encontravam e separando os recicláveis para vender por dinheiro.

Decidi passar a olhar a rua quando saía e não demorou muito eu vi a tal família.  Parei e conversei com eles, perguntando sobre sua experiência de trabalho e como poderia ajudá-los a encontrar um melhor.  Eles me falaram que tinham perdido seus documentos havia algum tempo e não tinham como ser contratados.  Era uma sexta e eles disseram que estariam ali naquele mesmo ponto da rua na segunda-feira.




Acho que eles não acreditaram muito no meu interesse.  Mas eu falei com os membros da minha ala (unidade de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) e na segunda-feira eu tinha bolsas e bolsas de doação para levar.  Tinha comida, roupas, material de higiene.  Quando me viram, sorriram mas logo se encabularam de estar dando biscoitos do lixo para seus filhos comerem na minha frente.  Fui com eles até um vendedor de quentinhas e comprei almoço para a família.  

O menino de 5 anos pulava que nem pipoca quando viu o que eu trouxe e o pai o animava ainda mais: como ele tinha sorte de tomar leite no seu aniversário!  Uma alegria que me atingiu como uma faca ao pensar nas minhas filhas.  Voltei para a minha casa, peguei uma roupa nova que tinha comprado para o meu primo e material de higiene, peguei brinquedos de menino com uma vizinha.  Levei essa pequena surpresa, dei-lhe um abraço apertado e falei para ele que tomasse um belo banho, colocasse aquela roupa novinha e brincasse com seus brinquedos.  

Desde então tenho acompanhado a família.  A cada semana foram muitas mudanças, ainda que sutis.  Me emocionei quando na semana seguinte encontrei o homem que comia do lixo agora manuseando tudo com luvas de borracha.  A cada semana mais limpos, a cada semana mais arrumados.  Conforme a sua aparência foi melhorando, mais pessoas passaram a reparar neles e lhes oferecer ajuda.  Até que hoje, para minha surpresa, encontrei com eles no mesmo horário e não os vi trabalhando na reciclagem.  Eles me avisaram que o pai conseguiu um trabalho!  E que vieram ainda precisando de ajuda porque o salário só vai cair no final do mês!

Esse milagre só aconteceu porque não apenas lhes demos comida.  Durante esse mês, as missionárias da Igreja os visitaram.  Eles receberam ajuda para encontrar trabalho, foram ensinados a orar a Deus e sobre o Livro de Mórmon.  A liderança da Igreja ajudou a dar entrada nos documentos.  Eles foram recebidos em casa e tratados como amigos.  Oramos, jejuamos por eles.  Não desistimos deles.  E a sua vida está mudando, pouco a pouco.  No próximo sábado seus filhos adolescentes serão batizados.  Eles estão cheios de esperança no futuro e muita gratidão.  Uma coisa linda de se ver!

Tenho muita gratidão por tudo o que tenho aprendido com essa família escolhida por Deus para me ensinar sobre como viver a vida.  Aprendi a prestar mais atenção nas oportunidades de fazer o bem.  Me dói só de pensar quanta coisa boa que eu deixei de viver porque estava apressada e simplesmente não vi a dor que eu poderia ter aliviado.  Ainda assim, me sinto imensamente grata por ter amigos maravilhosos que me mostram o que eu não consigo ver sozinha.  Sou feliz por fazer parte de uma comunidade de seguidores de Jesus Cristo que prontamente compartilharam de seus recursos para ajudar uma família carente e por líderes maravilhosos que deram o seu tempo para realizar esse grande trabalho.

Tudo isso me traz à mente as palavras de Nosso Senhor.
 34 Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por aherança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
 35 Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
 36 Estava nu, e vestistes-me; aadoeci, e bvisitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.
 37 Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?
 38 E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?
 39 E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
 40 E respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o afizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
Mateus 25:34-40

O autor preferiu não se identificar.  Essa história aconteceu no Rio de Janeiro, Brasil.


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Sobre o Amor e Antropologia

Como uma estudante de antropologia, é de se esperar e é esperado que conheçamos outras culturas, que nos interessemos por elas. Há um grande debate entre as pessoas nos dias de hoje sobre métodos, visões, crenças sobre qualquer atividade que somos sujeitos, como cuidar de crianças, ser esposa, ser saudável, entre muitos outros. Temos completo acesso a maneiras como outras culturas lidam com certas situações, a maneira como pessoas de outros continentes enxergam a maternidade e a família por exemplo. É normal do ser humano sempre enxergar a maneira como ele vive, os seus costumes, suas crenças e práticas culturais como sendo as mais normais, as mais lógicas e corretas. Entendemos que existem outras culturas, mas muito dificilmente entendemos que não existe maneira correta de fazer as coisas e praticar certos hábitos. Entendemos as diferenças mas não gostamos delas. O mundo seria mais fácil se todos pensassem igual, e fossem iguais, apenas com mínimos aspectos diferentes.
Quando fui fazer minha pesquisa de campo para minha tese de antropologia, eu decidi estudar imigrantes Mexicanos. Encontrei 4 famílias que aceitaram participar de 2 meses e meio de pesquisa. Tive que observá-los, fazer entrevistas, muitas entrevistas, e sem prejudicar minha pesquisa com a influência de minha opinião, tive que descrever exatamente como eles viam as coisas, seus costumes e valores, e práticas anexadas a sua cultura. Isso tudo para que eu pudesse entender se imigrantes eram realmente influenciados pela cultura do país de residência, abandonando então sua cultural de origem. Cheguei à conclusão que imigrantes não abandonam suas práticas, costumes, crenças, valores e visões culturais mesmo vivendo tantos anos em uma outra cultura. No início dessa jornada não tao fascinante, mas sim complexa e cansativa que é entender uma outra cultura sem prejudicar os resultados com meus julgamentos, não havia outra maneira de pensar a não ser comparar a minha própria cultura e depois compará-la a cultura local, que no caso era a Americana. Em minha mente eu fazia julgamentos, pensava que as práticas que eles faziam não era muito eficientes e corretas, ou até mesmo isso aconteceu ao conversar com eles sobre a cultura Americana. Há muita diferença entre Americanos e Brasileiros.




Isso também acontece na comparação a religiões. É fácil julgar outras crenças com pensamentos de que a maneira como as pessoas enxergam o mundo, Deus, e divindade é completamente equivocada e sem sentido. Só a nossa é a certa. Ao final dessa minha pesquisa, precisando aplicar métodos que tirassem meus julgamentos e não afetassem o resultado dela, eu consegui olhar o ser humano de uma outra forma, e por isso tive uma experiência fascinante no final. Sabemos que todos nós somos filhos do Pai Celestial, e que devemos amar a todos. Mas nunca ninguém nos disse que devemos amar as diferenças gritantes de um indivíduo e outro.


Achamos que devemos ser todos iguais na maneira que enxergamos a vida, que praticamos certos princípios e valores, como por exemplo como cuidar dos filhos, como as mulheres devem ser, responsabilidades de gêneros, entre outros. A experiência de ter que entender de perto uma cultura me fez enxergar algo belo. E com certeza isso aconteceu porque olhei com uma perspectiva divina, a influência do evangelho de Cristo, seu exemplo, seus ensinamentos e sua vida. O Senhor nos deu a bela oportunidade de sermos diferentes, praticarmos diferentes costumes e valores porque somos dotados de capacidades e inteligência. É lindo ver como as pessoas agem de acordo com seus valores. Elas enxergam um mundo diferente do nosso. Acreditam num mesmo Deus que nosso, mas seus costumes a essa crença são praticados diferentes. Eu passei a amar as pessoas, a não julgar o que é certo ou não, a respeitar que cada um tem uma visão diferente sobre práticas e valores, e não há sequer uma resposta certa para todas as coisas que nos rodeiam. Apenas uma resposta que sabemos ser a correta: Deus vive, e somos seus filhos. Temos capacidade de sermos que nem Ele é se buscarmos seguir seu exemplo. Nesse mundo ou em outro, continuaremos a ser diferentes, porque isso adiciona vida e progresso a nossa existência. Passei a amar as pessoas como elas são, suas opiniões, suas diferenças, crenças e costumes. Passei a enxergar o que o Senhor espera que enxerguemos: não importa nossa roupa, não importa como nos colocamos como mulheres dentro de nossos lares, não importa como demonstramos fé. O que importa mesmo é "amai-vos uns aos outros, como Eu vos amo". Deus ama os Indianos com suas vestimentas, os Polinésios com suas tatuagens, os Mulçumanos com suas túnicas, os Americanos com seu modo individualista. Não há maneiras certas, somos todos iguais perante Deus, e somos todos diferentes, e isso é belo.


Como uma antropóloga, o evangelho de Jesus Cristo me ajudou, e ainda ajuda, a não só analisar culturas e comportamentos de diferentes indivíduos, a não apenas descrevê-los e repassa-los, a não apenas achar belo mas ainda pre-julgar maneiras culturais diferentes a minha. O evangelho me ajudou a entender que a diferença individual e coletiva é a essência e a beleza de viver nesse mundo tão grande, de entender porque o Senhor permitiu que nos espalhássemos pelo mundo, que nos aglomerássemos em pequenas comunidades, tribos, vilas, e nações. Eu passei a amar mais ainda culturas e o ser humano por causa do evangelho de Cristo.


Cassia Reis

Ala Pooler, Estaca Georgia, EUA.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A Vida Em Um Passeio

Nesse feriado minha esposa e eu fomos levar a nossa filha, Amanda, de 5 anos, à praia.
Decidimos que iríamos a um ponto da praia do Recreio, próximo a nossa casa, mesmo sabendo que é um local onde o mar costuma ser revolto e as ondas costumam ser grandes, porque queríamos voltar logo e porque apenas queríamos que nossa filha gastasse um pouco de sua interminável energia correndo na areia.



Depois de alguns poucos minutos dirigindo conseguimos uma vaga para estacionar o carro e atravessamos a avenida a pé em direção à areia sem saber, ao certo o que esperar daquele ponto.
O início das brincadeiras foi um pouco conturbado, como esperado, com a Amanda, como qualquer criança, ansiosa por brincar e aproveitar cada espaço e cada segundo daquele momento sem se dar conta dos riscos envolvidos. O mar estava numa temperatura agradável e limpo o que o tornava muito convidativo apesar dos perigos que oferecia a todos e, especialmente, a uma criança. Uma bandeira vermelha do Corpo de Bombeiros sinalizava que o ponto que estávamos era perigoso para banhistas em razão da corrente marítima. O calor, já habitual para essa época do ano com a sensação térmica perto dos 50°, completava o cenário e a praia estava lotada.
Não demorou para que eu dissesse à Amanda que naquele momento, naquele passeio, mais do que nunca, ela tinha que me obedecer, prestar atenção à minha voz e não soltar da minha mão. Também estabeleci com ela uma área onde poderíamos brincar em segurança junto ao mar, onde as ondas chegavam já fracas e apenas molhavam a areia sem oferecer risco. 
Foi então que, ao dizer isso a ela, alguns pensamentos me vieram à mente. Me dei conta de que não era apenas naquele momento, mas em todos os momentos que ela deveria ouvir a minha voz e seguir o que eu lhe ensinasse. Em seguida pensei também que todos nós devemos sempre ouvir a voz de nosso Pai Celestial, segurarmos firmes na “barra de ferro” e permanecermos nos limites seguros estabelecidos por Ele.
Jesus Cristo, ao ministrar pessoalmente aos nefitas, ensinou: “E todo aquele que der ouvidos às minhas palavras e arrepender-se e for batizado, será salvo. ” (3 Néfi 23:5). 
Enquanto permanecermos agarrados à Barra de Ferro, que significa “a palavra de Deus, que conduz à fonte de águas vivas, (...) ” (1 Néfi 11:25) teremos a certeza que jamais pereceremos, “nem as tentações nem os dardos inflamados do adversário” poderão nos dominar até a cegueira, para levar-nos à destruição (1 Néfi 15:24).
Como ensinou a Sister Carole M. Stephens – Primeira Conselheira na Presidência Geral da Sociedade de Socorro, na Conferência Geral de Outubro de 2015: “Podemos ver os mandamentos como limitações. Podemos sentir que, às vezes, as leis de Deus restringem nossa liberdade, tiram nosso arbítrio e limitam nosso crescimento. Mas, ao buscar mais entendimento e permitir que o Pai nos ensine, começamos a ver que Suas leis são uma manifestação de Seu amor por nós e que a obediência a Suas leis é uma expressão de nosso amor por Ele” que declarou: “Se me amais, guardai os meus mandamentos”.
Diferente do que esta experiência que tive com a minha filha, esta vida não é um passeio. Entretanto, de modo semelhante, temos um “mar” de oportunidades convidativas para nos afastarmos do caminho seguro que nos levará à salvação. 
“Cada um de nós vem para este mundo decaído com fraquezas ou desafios inerentes à condição humana”. Sabíamos na vida pré-mortal, quando nos foi ensinado sobre o Plano de Salvação, o que passaríamos aqui nesta vida. Sabíamos que seríamos tentados e testados. Sabíamos dos perigos a que estaríamos sujeitos e prometemos obedecer. “Aprendemos que, se aceitássemos e seguíssemos o plano, precisaríamos deixar voluntariamente a presença do Pai e ser testados para mostrar que escolheríamos viver de acordo com Suas leis e Seus mandamentos. Regozijamo-nos com essa oportunidade e com gratidão apoiamos o plano porque ele nos oferecia um modo de tornar-nos semelhantes a nosso Pai Celestial e herdar a vida eterna. (Élder Robert D. Hales – do Quórum dos Doze Apóstolos – A Liahona outubro 2015.)
A todo o momento do nosso passeio na linda praia do Recreio tínhamos a liberdade para fazer algumas escolhas. Tínhamos a liberdade para escolher um outro ponto mais seguro, tínhamos a liberdade para brincar apenas na areia, para apenas molharmos os nossos pés na água ou ainda para nos arriscarmos a entrar naquele convidativo, mas perigoso mar. Felizmente decidimos por permanecer na margem, na areia, no local seguro e com isso fomos abençoados com bons momentos desfrutando da companhia um do outro sob o sol do verão ao cair da tarde.
Se tivéssemos sido imprudentes e nos arriscado ao entrar no mar, ainda que “apenas” alguns poucos metros, certamente nossas opções de escolha teriam sido drasticamente reduzidas e correríamos sérios risco de morte e sermos levados pela corrente marítima. 
Fiquei feliz ao ver que nossa filha fez a escolha certa mantendo-se o tempo todo agarrada à minha mão. Isso não a limitou de se divertir, não a limitou de aproveitar o passeio e voltar para casa em segurança.
De modo semelhante, ao guardarmos os mandamentos, orarmos pela manhã e à noite, sozinhos e em família, estudarmos diariamente as Palavras do Senhor que se encontram nas escrituras e nas palavras dos profetas modernos, aproveitaremos a nossa vida em sua plenitude e saberemos que estaremos em segurança trilhando o nosso caminho de volta ao nosso eterno lar.

Heron Polatti

Ala Recreio dos Bandeirantes
Rio de Janeiro, Brasil.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

E agora?

Pois é, eu parei de escrever.  Porque a minha meta era escrever por 12 meses.  E eu comecei em abril de 2015, logo em abril de 2016 a minha meta estava terminada.  E agora?



É aquela sensação que vem junto com o diploma, o fim da festa de casamento, a aposentadoria de uma carreira bem-sucedida.  O sabor da vitória costuma a ser seguido da dúvida que é importante de se responder.  E nesse tempo sem escrever eu me perguntei o que fazer desse projeto que eu acredito ser relevante para o mundo, ainda que o mundo ainda não saiba dele.

Por isso decidi escrever um post só para explicar a conclusão que eu cheguei.  Durante esse um ano eu escrevi sobre como as palavras de Cristo tem tornado a minha vida mais abundante e acredito ter conseguido mostrar como esse olhar tem trazido poesia para uma rotina tão conturbada de mulher do nosso século.  Entretanto sei que não só nós mulheres podemos experimentar a força e a alegria que vem de apreciar a vida na mais doce das companhias.

Resolvi que iria perguntar a alguns amigos se gostariam de escrever um artigo contando uma experiência em que a perspectiva do evangelho fez toda a diferença.  E vou publicar aqui no blog para vocês lerem toda semana uma resposta.  Eu sinceramente espero que vocês curtam.  Aqui no blog sempre tem poucos comentários, mas quando eu encontro as pessoas na Igreja e na rua sempre escuto incentivo e comentários sobre o blog.  Portanto a partir de semana que vem teremos esse novo formato que eu tenho certeza que será muito proveitoso para todos os que lerem.

Nenhum ser humano é simplesmente um ser errante aqui nessa terra.  Todos nós temos vivências espirituais diariamente, ainda que não estejamos cientes delas.  Experiências com o amor, a dor, o medo, a solidão, a amizade, a coragem... Embora vivamos em um mundo que insista que apenas a fome, a sede e o conforto sejam relevantes, nossa natureza divina não nos permite viver só nisso.  E independente de que caminho escolhemos, existe um Deus que está a par de cada uma das decisões da nossa estrada.

Meu grande conforto é saber que em nenhum momento podemos literalmente nos esconder desse Pai Celestial que tem tanto interesse em nós, seus pequeninos.   Sobre isso Jesus disse: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que Deus seu filho Unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna" (João 3:16).

Declaro com toda convicção que sei que esse Deus é real e que Ele vive e reina sobre nós.  Jesus Cristo é seu Filho e nosso Salvador.  O Espírito Santo testifica dessas verdades e arde em meu coração.


segunda-feira, 28 de março de 2016

Porque Ele vive

Nesse domingo de Páscoa, depois de voltar da Igreja fiquei em casa com meus pais e minha vó paterna.  Minhas filhas fizeram uma grande festa com cada chocolate e deram muita alegria ao vovô e a vovó.  Comemos juntos e rimos de coisas que acontecem.  Foi bom passar um dia calmo.

Uma coisa me ocorreu ao olhar a minha vó e a minha bebê de dois anos interagindo.  De um lado, a menina parecia estar ganhando tudo o que a sua bisa perdia: a capacidade de andar com segurança, de cuidar de seu asseio sozinha... Enquanto uma acumula novas memórias, a outra a cada dia se desfaz de suas lembranças mais queridas, mesmo contra sua vontade.  Minha vó me dizia que o lado bom de ficar velho é justamente poder ver a sua família crescendo e eu concordei, ainda que lá dentro o pensamento me desalentava.

Minha gratidão pela páscoa aumentou muito ao considerar que a ressurreição de Cristo é a nossa única esperança para essa condição tão precária da humanidade.  Se verdadeiramente fôssemos fruto do acaso e tudo acabasse aqui, não precisaríamos nos inquietar.  Mas a experiência nos mostra que, muito mais que instinto, temos lampejos da eternidade que está em nós que não nos permite ignorar nosso caráter espiritual.  Uma eternidade fora do corpo, longe de quem amamos, em uma vastidão sem sentido seria realmente uma desolação sem tamanho.  

Por isso meu coração se enche de esperança com essas palavras:


Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão aperdidos.Se só nesta avida besperamos em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas agora Cristo ressuscitou dos mortos, e foi feito asaprimícias dos que dormem. Porque, assim como a amorte veio por um homem, também a bressurreição dos mortos veio por um homem.Porque, assim como todos morrem em aAdão, assim também em bCristo todos serão cvivificados.
1 Coríntios 15:16-22  

Muita gente acredita na ressurreição de Cristo mas não consegue aceitar que essa ressurreição está prometida para toda a humanidade, bons e maus.  A escritura no entanto é clara: os que morreram ressurgirão e se colocarão diante de Deus e receberão de acordo com aquilo que semearam nessa vida.  Uma leitura deste capítulo inteiro muito agregará aos que tem dúvidas.

Sou particularmente grata nesse momento pelo Livro de Mórmon, que fala de maneira clara sobre essas questões e torna os ensinamentos da Bíblia mais compreensíveis. 

https://www.lds.org/scriptures/bofm/alma/40?lang=por

Amo aprender sobre essa alegria, a de compreender que porque Ele vive, poderemos também reviver e estar na presença de Deus.  E o melhor de tudo isso, com nossas lembranças e com todo o vigor!